Quando o reboliço toma conta do peito e a menina perde toda a força para procurar o ar, ela dar-se conta de que seus segundos foram gastos ansiando respostas para perguntas que não eram dela. Seus sonhos, ruindo como um castelo de areia ao toque do mar, perdem o sentido que antes lhe parecia tão óbvio. Dentro de si, um emaranhado de sentimentos impossibilitava qualquer reação. A mente, agora desvairada, ensaiava pensamentos que faziam com que a menina desconfiasse de todos a sua volta. Viu brotar em seu ser um desejo de atirar-se ao mar no topo da torre ao procurar a lua, mas não se julgava tão forte tal como fora Ismália.
Queria, sim, as asas, mas estava tomada por uma multidão de sãos que podavam qualquer esperança que tentasse surgir de suas costas. Estavam estrategicamente posicionados, foram anatomicamente desenvolvidos para isso. A menina, que não era Ismália, mas enlouquecera, estava tão subjugada ao mostro do qual fugira que não tinha mais pretensões que não fosse se render. Quando fitou o mar como quem nada queria e se viu seduzida pela tão tentadora proposta, percebeu que ainda havia um único motivo para não se entregar a correnteza.
Ela não havia até então percebido, mas estava sendo observada minunciosamente por uma face não tão desconhecida que esperou o ensejo perfeito para segurar a sua mão.
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