"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"
Colocar a cara tapa pra tantas coisas e pessoas. De fazer jus ao peito empirista que bate aqui dentro. Passar uma hora sozinha assistindo o cais me dizer o que a vida tem pra mim. Sentir o cheiro do rio cheio e querer poder mergulhar ali. Caminhar entre corredores espaçosos disputando a visão de prateleiras com outras pessoas. Sentir aquela inveja boa e branca de quem tá levando tantos livros. Sair e olhar mais uma vez o rio em uma despedida de quem muito em breve voltará.Pegar um ônibus vazio e passear sem rumo e hora pra voltar. E até desejar pegar o ônibus errado só para passar mais tempo dentro dessa estufa de reflexão sentindo a adrenalina de quem não sabe onde vai chegar. As tardes que gastei assim foram as mais deliciosas da minha vida. Daquelas que a gente não divide com ninguém, só com a gente mesmo e chega em casa sorrindo como quem esconde um segredo. Não há nada demais a ser escondido. Mas a sensação de ter algo só seu, mesmo que seja um momento, é tão bom. De guardar uma memória que ninguém vai ter igual, pensamentos que não seriam os mesmos se estivesse acompanhado, sensação boa danada.
Colocar a cara tapa pra tantas coisas e pessoas. De fazer jus ao peito empirista que bate aqui dentro. Passar uma hora sozinha assistindo o cais me dizer o que a vida tem pra mim. Sentir o cheiro do rio cheio e querer poder mergulhar ali. Caminhar entre corredores espaçosos disputando a visão de prateleiras com outras pessoas. Sentir aquela inveja boa e branca de quem tá levando tantos livros. Sair e olhar mais uma vez o rio em uma despedida de quem muito em breve voltará.Pegar um ônibus vazio e passear sem rumo e hora pra voltar. E até desejar pegar o ônibus errado só para passar mais tempo dentro dessa estufa de reflexão sentindo a adrenalina de quem não sabe onde vai chegar. As tardes que gastei assim foram as mais deliciosas da minha vida. Daquelas que a gente não divide com ninguém, só com a gente mesmo e chega em casa sorrindo como quem esconde um segredo. Não há nada demais a ser escondido. Mas a sensação de ter algo só seu, mesmo que seja um momento, é tão bom. De guardar uma memória que ninguém vai ter igual, pensamentos que não seriam os mesmos se estivesse acompanhado, sensação boa danada.
Da mesma maneira em que recebo o mundo sozinha (constantemente, aliás. tenho tido esse defeito de me afastar cada vez mais das pessoas e afundar nesse mundo particular), tenho sentido vontade de explorar cada vez mais ao lado daqueles que me fazem bem. Um trecho que eu amo fala "Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo." e é assim que eu tenho visto. É injusto, com os outros e comigo, me privar disso. Ainda mais quando esta privação está associada a um comodismo desnecessário que não me leva a lugar algum. E sempre que quebro esse bloqueio obrigo a mim mesma que o faça mais. É que às vezes eu esqueço do bem que certas pessoas me fazem e por saber que elas sempre estarão lá acabo me ocupando de coisas que no final não me dão fruto nenhum. E nessa minha vontade de me jogar pros braços da vida, eles estarão lá. Porque são eles que me dão energia e vontade de viver. São eles que deixam qualquer cerveja quente boa, que me fazem querer ir pro local mais estúpido só para te-los por perto. Talvez eles nem saibam o quanto são importantes para mim, mas acredito que os tenho com amor em cada sutil gesto que demonstro.
Voltando a primeira situação e deixando esse texto ainda mais incoerente do que o normal. Percebi que fico me restringindo de tantas coisas em nome de um conceito de "certo e errado" que não existe. Todas as minhas concepções, principalmente aquelas pelas quais eu tenho mais apreço e acho mais construtivas, ficam na teoria de um papel amassado e jogado no primeiro lixeiro encontrado. Do que adianta, então? Acabo me rendendo a convenções morais que não passam de pretextos inúteis para inibir as pessoas de serem felizes. É como se estivéssemos vivendo em "1984" de George Orwell e fossemos controlados em cada pequena atitude para seguir um regime premeditado por aqueles que juram deter a verdade. A verdade é tão subjetiva, própria de cada um, que todos os seus conceitos deveriam ser extintos. E eu, a idiota mor aqui, insisto em seguir tudo isso por ser mais fácil. Alguém grita pra mim, por favor: "Não adianta deixar tudo na teoria." Eu quero viver! Eu quero tomar o meu primeiro porre, quero chegar em casa de madrugada sem noção de onde estou voltando, quero conhecer novos rostos e histórias. Que minha mãe não leia isso, mas até a minha psicologa me aconselhou a ser um pouco irresponsável. Eu quero fugir de todo esse sistema, eu não posso estar inclusa em algo tão perverso e estúpido: A máquina de destruir sonhos e reprimir vontades.
A felicidade incomoda. Essa é a verdade. Ninguém nesse sistema aguenta assistir o outro ser feliz. Creio que isto acontece porque o ideário da felicidade foi criado como um mito, passando de geração a geração, como se ela não existisse. Ou que, mesmo se existisse, era tão inalcançável que não valia a pena nem tentar. A felicidade é tão simples, que meu Deus, parece que inventaram essa ladainha toda por pura maldade! A felicidade é poder dar bom dia para sua mãe, é assistir o nascer do sol, é tomar banho de chuva, é descobrir que aquele salgadinho da sua infância ainda existe, é tanta coisa! Mas as pessoas insistem em pensar que felicidade é chegar aos 50 com uma bela estabilidade financeira, dois filhos (se muito), um apartamento espetacular no melhor bairro da cidade, uma casa de praia/campo e os filhos "encaminhados pra vida". Eu tenho náusea só de imaginar a minha vida assim. Ser feliz é tão mais do que isso. Aliás, ser feliz é "somente" questão de ser. (O que é muito, atualmente)
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