terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

turbulência


E ela finalmente percebeu que por mais que o tempo tivesse passado e carregado consigo erros e lembranças antigas, ela ainda levava fraquezas presentes em outros tempos. E percebeu que talvez não fosse capaz de deixá-las de lado, joga-las fora como bilhetes antigos ou esconde-las como retratos indesejados. Não fazia sentido mergulhar nisso novamente se ela mesma sabia que estaria novamente fadado ao fracasso. Doeu reconhecer que ela não era capaz. Ao mesmo tempo, pensou também que deveria começar a reconhecer que certas características suas não estavam gravadas em sua pele levando-a a um futuro certo e premeditado. Ela era sim capaz de esquecer feridas e palavras proferidas, mas era aparente que o seu orgulho se sobrepunha a vontade de olvidar.
Queria mergulhar no mar e fazer com que as águas turbulentas de uma praia distante fossem capazes de limpar todas as lembranças ruins. Em momentos como esse, desejava que não possuísse a tal memória de elefante da qual tanto se orgulhava. A verdade é que não conseguia ter uma memória seletiva e nem muito menos uma ferramenta para limpar o que tanto queria esquecer. O que fazer quando a vontade de ir adiante compete com o orgulho e com a sensação de estar dando passos em falso? Ela realmente não sabia. Não sabia o motivo pelo qual tudo aquilo estava acontecendo e tinha medo de mais uma vez estar idealizando. Houve dias em que ela esteve certa de que o melhor era investir em páginas brancas e passou semanas pensando assim, mas a qualquer sinal ela voltava a sentir a falta dos rabiscos daquelas páginas amarelas. Culpava-se por isso. Muito. Mas era mais forte do que ela.
E se tudo corrobora para que seus desejos sigam na direção oposta da maré, porque insistir tanto nisso? Se sabe que não é capaz e se sabe que, mesmo que fosse, não seria nada possível e fácil, porque ainda levantar acreditando nisso?
 O lírico desse texto deveria dizer “esquece, menina”. Mas a vida só pode estar gostando de jogar com ela. Jogar como se ela fosse um brinquedo manipulável segundo as vontades de terceiros? Ou mesmo que fosse segundo a vontade de um só, dele, não era nada justo. Então que o lírico grite “Vai atrás dos teus sonhos, menina. Mas não se esquece de ser feliz.”



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