terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

cabresto compulsório


A vida toda eu me vi condicionada a optar por um dos lados das verdades paradoxais. Talvez não tenha me dado conta disso na maior parte do tempo, mas hoje tenho isso como certeza. Percebi isso da forma mais estranha possível, quando li uma frase de Santo Agostinho e gostei. Mas como assim se o meu favorito era Tomás de Aquino? Não sei de onde vem essa imposição, se é da vida, de mim, do mundo. Mas ela está permeada em tudo e isso é assustador. Gostar de Almodóvar não te impede de também curtir Tarantino, se afeiçoar por literatura latina não te faz incapaz de curtir uns autores londrinos e vice e versa. Acho que essa ideia parte de um principio de que você tem que provar constantemente ser o que aparenta pros outros e essa ideia, sinceramente, é terrível. E eu, sem perceber, acabava me rendendo a tudo isso. Tudo parece impelir que as pessoas abram seus horizontes e explanem ideias, como um cabresto que te direciona para um único caminho. Não sei se fico horrorizada ou feliz ao perceber tudo isso. É estranho e ao mesmo tempo bom. Estranho por não ter me permitido tanta coisa por tanto tempo e bom por saber que isso não vai mais acontecer. 

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