A vida toda eu me vi condicionada
a optar por um dos lados das verdades paradoxais. Talvez não tenha me dado
conta disso na maior parte do tempo, mas hoje tenho isso como certeza. Percebi
isso da forma mais estranha possível, quando li uma frase de Santo Agostinho e
gostei. Mas como assim se o meu favorito era Tomás de Aquino? Não sei de onde
vem essa imposição, se é da vida, de mim, do mundo. Mas ela está permeada em
tudo e isso é assustador. Gostar de Almodóvar não te impede de também curtir
Tarantino, se afeiçoar por literatura latina não te faz incapaz de curtir uns
autores londrinos e vice e versa. Acho que essa ideia parte de um principio de
que você tem que provar constantemente ser o que aparenta pros outros e essa
ideia, sinceramente, é terrível. E eu, sem perceber, acabava me rendendo a tudo
isso. Tudo parece impelir que as pessoas abram seus horizontes e explanem
ideias, como um cabresto que te direciona para um único caminho. Não sei se
fico horrorizada ou feliz ao perceber tudo isso. É estranho e ao mesmo tempo
bom. Estranho por não ter me permitido tanta coisa por tanto tempo e bom por
saber que isso não vai mais acontecer.
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